| Nutrição em Doenças |
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| Síndrome do Intestino Irritável - O hábito intestinal alterado pode ser uma doença real |
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A Síndrome do Intestino Irritável (SII) afeta 10 a 20% da população mundial, sendo responsável por 12% das consultas de atenção primária e de 28% dos encaminhamentos aos médicos gastrenterologistas. Ocorre geralmente antes dos 35 anos e sua prevalência é maior entre as mulheres. Com tamanha freqüência e desconforto que causa às pessoas acometidas, a SII pode ficar sem diagnóstico durante muito tempo, uma vez que nenhum exame geral ou específico é capaz de comprovar a existência de um processo patológico de tamanha magnitude. Assim, o diagnóstico só pode ser feito com base na descrição dos sintomas pelo paciente, além da necessidade de descartar outras doenças intestinais.
O hábito intestinal não depende da nossa vontade e sim dos nossos hábitos
As queixas intestinais são mesmo muito comuns. As pessoas se incomodam muito com o ritmo dos seus intestinos e na maioria das vezes, sem muita razão de ser. São pessoas que querem um ritmo intestinal diário, porque pensam que intestino normal é aquele que funciona todos os dias e no horário que elas estipulam. Acontece que o nosso ritmo intestinal é autônomo e independe da nossa vontade. Somos nós que devemos obedecer ao impulso quando ele vem, independente de estarmos em casa ou fora dela. Dessa forma, muitas vezes pensamos que temos uma doença intestinal ou um intestino "preguiçoso" ou muito ativo. Na verdade, o que temos mesmo é uma grande irregularidade em nossas refeições e, por conta disso, idas ao banheiro também irregulares.
Quando a queixa intestinal é uma doença real
Realmente, a maioria dos casos de queixas intestinais são mesmo decorrentes do stress e do estilo de vida das pessoas, de suas dietas pobres em fibras e água, de seu sedentarismo, do consumo de alimentos gordurosos e até de intoxicação alimentar. Entretanto, as queixas de prisão de ventre e diarréia passam a ter grande importância quando esses sintomas são repetitivos e duradouros, mas principalmente quando se associam à distensão e dor abdominal. Nesse momento passamos a entender que pode existir sim uma doença real e de difícil diagnóstico, responsável por tantas queixas intestinais e que merece um estudo mais detalhado. Essa doença foi chamada de Síndrome do Intestino Irritável (SII).
Para se fechar o diagnóstico de SII uma pessoa deve ter dor ou desconforto abdominal recorrente nos últimos 3 meses, que pode melhorar com a defecação e cursar com alterações do ritmo intestinal (diarréia e/ou constipação) e alterações na consistência das fezes. Também são comuns a sensação de evacuação incompleta, perda de muco nas fezes e flatulência com visível distensão abdominal. Como essas alterações não são específicas da SII, todas as pessoas sintomáticas devem ser submetidas a exames para afastar outras doenças gastrintestinais.
Apesar de muito estudada a SII ainda não tem uma causa definida. As teorias mais aceitas dão conta de que a doença seja o resultado de alterações na modulação da atividade intestinal e da sensibilidade dolorosa visceral exercida pelo sistema nervoso. Parece que há um descompasso na motilidade do intestino que deveria ter uma regulação fisiológica através do cérebro. Infelizmente esse mecanismo ainda não foi completamente elucidado.
Os múltiplos tratamentos refletem a falta de um consenso
Como não poderia ser diferente, uma doença sem causa definida também não tem um tratamento específico. Assim, o tratamento visa melhorar os sintomas, que podem ser tão diversos quanto um quadro diarréico ou uma prisão de ventre. São usados suplementos de fibras, alguns tipos de laxantes, antidiarréicos, antibióticos, antiespasmódicos e até antidepressivos. Uma classe nova de medicamentos foi introduzida no mercado e parece ser eficaz nos sintomas da SII, mas com a possibilidade de efeitos colaterais importantes, essas novas drogas tem recebido das agências reguladoras uma estreita fiscalização. Tratamentos alternativos também são utilizados sem muita evidência científica, mas com alguns resultados que confirmam a utilidade dos mesmos como a prática de yoga e acumpultura e o consumo de gengibre e probióticos.
A influência da dieta no tratamento da SII
O papel da dieta nos pacientes com SII é fundamental na manutenção do estado nutricional dos mesmos. Apesar de não se configurar um quadro clássico de intolerância à lactose, esses pacientes sempre melhoram com a suspensão do leite e derivados. Além disso, a redução do consumo do açúcar e moderação dos carboidratos em geral podem aliviar os sintomas de flatulência e distensão abdominal tão comuns devido à maior fermentação desses nutrientes.
Muitos pacientes costumam relacionar seus sintomas com certos alimentos e suspendem, sem muito critério, esses componentes da dieta. Essa prática não deve ser encorajada, mas intolerâncias individuais devem ser respeitadas, independentemente da existência de evidências dos prejuízos reais por parte desses alimentos.
Nessa síndrome tão complexa, não temos dúvidas de que devemos ajudar os pacientes com relação ao enfrentamento do stress, uma vez que sabemos do grande desafio que isso significa no tratamento da SII. Além disso, a manipulação dos diferentes medicamentos de acordo com o perfil de cada paciente e a adequação nutricional dos mesmos possibilitam o alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida.
Você consegue manter um ritmo intestinal adequado? Quando tem sintomas relacionados a essas alterações, você entende como normal ou procura orientação especializada? Você consegue se lembrar do tempo que tem tido esse tipo de desconforto em sua vida e da cronicidade e ciclicidade dos mesmos? Costuma usar laxantes ou se automedicar no seu dia a dia? Dê sua opinião e tire suas dúvidas conosco. |
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