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Nutrição em Doenças
Os malefícios dos suplementos vitamínicos
Uma a uma das vitaminas em cápsulas vem se revelando como um grande equívoco quando o assunto é prevenção de doenças. Agora é a vez da vitamina E. Ela acaba de sofrer mais um duro golpe em sua credibilidade como suplemento vitamínico ao ser associada a um aumento do risco de câncer de próstata. 
 
Acaba de ser publicado no Journal of American Medical Association, JAMA, os resultados de um grande estudo multicêntrico chamado SELECT. O estudo avaliou 35.000 homens durante sete anos com o objetivo de confirmar a hipótese de que a vitamina E e o Selênio pudessem agir na prevenção do câncer de próstata. Os resultados foram diametralmente opostos à hipótese inicial pois houve um aumento significativo dos casos desse tipo de câncer nos homens que utilizavam suplemento de vitamina E quando comparados ao grupo que recebeu placebo. 

O Selênio não foi poupado nesse trabalho científico, pois um grupo de 8000 pacientes usou esse suplemento, também com a expectativa de ser protetor. Mais uma decepção. O Selênio também não foi protetor e foi associado a um maior risco de câncer de próstata, embora sem a força estatística demonstrada pelo grupo que recebeu a vitamina E.

Esses resultados não são nenhuma novidade. Em 2005 a maior vedete das vitaminas antioxidantes já havia sofrido um grande abalo, quando um estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine, analisando 136.000 pacientes, revelou que doses iguais ou superiores a 400UI de vitamina E poderiam aumentar a taxa de mortalidade por todas as causas e deveriam ser evitadas.

Para reforçar o coro contra os suplementos vitamínicos, em fevereiro de 2007, uma grande revisão de 385 trabalhos científicos com 232.600 pacientes foi publicada no mesmo jornal do estudo SELECT, avaliando o efeito antioxidante dos suplementos vitamínicos sobre a taxa de mortalidade por doenças em geral. O resultado só veio confirmar os estudos anteriores: "o tratamento com beta caroteno, vitamina A e vitamina E pode aumentar a taxa de mortalidade... Não há evidência de que a vitamina C possa aumentar a longevidade... O papel potencial do selênio ainda necessita de futuros estudos", informava o artigo nas palavras de seus autores. 

Esses resultados são contundentes em revelar que a história do ditado " se não fizer bem, mal não faz" é totalmente furada. É preciso uma maior cautela das prescrições médicas de vitaminas, conscientização das pessoas sobre os riscos desses suplementos e rigor das agências reguladoras na legislação do uso dos suplementos e suas propagandas. Já está na hora de todos esses segmentos da sociedade - médicos, pacientes e agências reguladoras - entenderem que a aura de inofensivos dos suplementos vitamínicos não passa de um grande engano. 
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