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Nutrição em Doenças
A volta da gordura saturada
A gordura hidrogenada - trans - sempre representou um grande mal à saúde. Seus efeitos deletérios já foram exaustivamente confirmados e, definitivamente, este tipo gordura não deve pode fazer parte dos alimentos que consumimos rotineiramente.

Por muito tempo, a indústria utilizou essa gordura com a finalidade de produzir alimentos com maior durabilidade, aproveitando também as características positivas que ela confere a eles, como a crocância dos biscoitos, a maciez dos pães e bolos e o fato das frituras ficarem mais sequinhas e com aparência de alimento saudável.

Atualmente, com o alerta mundial feito pelas agências reguladoras contra a gordura hidrogenada,  a indústria alimentícia enfrenta o desafio de elaborar alimentos saborosos e com a qualidade anterior, mas com 0% de gordura trans. A saída encontrada tem sido a utilização da gordura vegetal, principalmente a gordura de palma. O grande problema é que a gordura de palma é composta principalmente por gordura saturada, que também é muito prejudicial à saúde. Aliás, foram justamente os malefícios da gordura saturada que levaram ao desenvolvimento industrial da gordura trans. Infelizmente, a troca se mostrou desvantajosa, uma vez que os malefícios da gordura trans se revelaram maiores do que aqueles da gordura saturada. Por conta disso, tem nos preocurado o fato de que a gordura saturada esteja de volta às prateleiras dos supermercados.

A gordura saturada está presente em diversos alimentos, mas a quantidade encontrada naqueles considerados saudáveis, como cookies e biscoitos integrais tem nos deixado preocupados. Por exemplo, uma porção de 50g de cookie contém cerca de 8g de gorduras totais, sendo aproximadamente metade em gordura saturada.

Se compararmos esses valores com um alimento sabidamente rico em gorduras saturadas, como as carnes vermelhas, podemos entender o risco que estamos correndo. Um bife de carne magra de 100g (já preparado) contém cerca de 9g de gorduras totais, sendo metade delas na forma de gordura saturada. Logo o cookie e as carnes apresentam o mesmo teor de gordura. As carnes não são fontes de fibras, isso é fato. Os cookies contêm cerca de 3g de fibras. Mas será que essa quantidade é suficiente para que o teor de gordura saturada não interfira em nosso colesterol? Será que a presença de fibra justifica o teor de gordura?

A resposta é não! Um adulto jovem, com peso normal, pode consumir cerca de 2000 calorias por dia e dessas, apenas 140 sob a forma de gordura saturada. Isso equivale apenas a cerca de 15 gramas de gordura saturada. Se uma pessoa consumir mais que isso, poderá sofrer com os efeitos deletérios dessa gordura, principalmente com a elevação do colesterol ruim - LDL colesterol. Isso poderá acontecer, mesmo que esse adulto alcance as recomendações de 30g de fibra diárias.

As fibras são muito bem vindas à saúde, mas não devem estar associadas a alimentos ricos em gorduras. Os consumidores devem estar atentos a essas armadilhas disfarçadas "de alimentos integrais". Devemos continuar cobrando da indústria alimentícia a produção de itens mais saudáveis, com baixo teor de gordura, principalmente gordura saturada, e com a manutenção das fibras.

Os pães de forma integrais e os iogurtes lights, que conseguem ser saborosos e quase isentos em gorduras comprovam que a indústria consegue produzir alimentos saborosos e saudáveis ao mesmo tempo. Esse é o deafio.
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