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Vivenciar momentos em família é uma delícia. No horário das refeições, mais ainda. No mundo todo, compartilhar sentimentos e palavras à mesa é uma tradição importante. Foi o que apontou o estudo "O poder das refeições", realizado em 2008 pela empresa Knorr. Muito além de um costume, as ceias em família podem gerar mudanças reais na vida das pessoas com benefícios para o bem-estar físico, social, emocional e nutricional de crianças e adultos.
"Traz muitas melhorias. A mais evidente é o aumento dos vínculos e laços familiares já que adultos e crianças tendem a comer de maneira festiva quando estão juntos e fazer dos pratos e sabores uma verdadeira comunhão", afirma a nutróloga e endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional (CITEN), em São Paulo.
Para 79% dos brasileiros, as refeições são o momento para se estar junto da família e o principal espaço de conversa com os filhos, minimizando, até mesmo, as tensões familiares. "Os alimentos em comum e o prazer advindos deles tornam as pessoas mais condescendentes e tolerantes já que elas se identificam na atitude prazerosa da alimentação", justifica Ellen.
Crianças: as maiores beneficiadas
Se os adultos ganham um espaço para botar o papo em dia, os filhos são os maiores beneficiadas com o ritual à mesa. Estudos realizados na Inglaterra e nos Estados Unidos revelaram que as refeições em família podem melhorar o vocabulário e o desempenho escolar de crianças e prevenir o uso de drogas e o comportamento antissocial entre adolescentes. "Fazer apenas uma refeição com os pais pode acelerar o desempenho das crianças no Ensino Fundamental. Se feitas com regularidade, essas crianças têm quase o dobro de chances de tirar boas notas em comparação àqueles que nunca o fazem", confirma Leandro Barreto, gerente de marketing da Knorr.
Além disso, uma família que faz refeições em comum dá a seus filhos maior sentido de comunidade e sociabilidade. "As refeições em família são uma oportunidade para que os pais envolvam os filhos em pensamentos e atividades culturais e, ao fazê-lo, ajudam a se tornarem membros socializados dessa mesma cultura", afirma Leandro. "E essa socialização da criança facilita sua integração ao grupo de colegas e faz com que o aprendizado flua mais facilmente e de forma prazerosa", acrescenta Ellen.
Se você estava acostumada a ver crianças rejeitando legumes, verduras e frutas é preciso revisar seus conceitos. Os pequenos adoradores de brócolis começam a ganhar espaço. "Muitas atitudes com relação aos alimentos são adquiridas à mesa. Quando os pais apresentam esses alimentos de forma relaxada e em um contexto agradável e flexível sua receptividade tende a aumentar", garante Leandro. "O importante é fazer com que as crianças participem da elaboração dos cardápios, dando a elas a opção de um vínculo com o alimento saudável desde a primeira papinha. Sem tentar ensiná-la nada que não façamos nós adultos. Muitos pais querem que os filhos tenham uma alimentação saudável quando nem eles a têm", adverte Ellen.
O estudo realizado pela Knorr revelou que, além de estabelecer hábitos alimentares mais saudáveis, comer em família melhora a ingestão nutricional, prevenindo a obesidade e os distúrbios alimentares em geral.
Mudando hábitos
Ainda que os benefícios sejam muitos, a rotina corrida e os horários desencontrados têm tornado difícil manter o ritual de congregação à mesa. "A escassez de tempo na sociedade moderna levou à redução das refeições compartilhadas e ao aumento das refeições rápidas. As famílias estão com menos tempo de preparar suas refeições, arrumar a mesa e desfrutarem desse momento em comum", constata Leandro.
Além da correria diária, alguns costumes têm prejudicado a qualidade desse momento. O maior deles: a televisão, ligada em 69% dos lares brasileiros durante as refeições. "Com a TV ligada, a refeição compartilhada perde seus principais benefícios como estimular a união e a cumplicidade entre pais e filhos e resulta em maior ingestão calórica", revela Leandro. "O que ocorre é que muito da saciedade que temos advém da atenção ao que comemos, à nossa mastigação e ao sabor dos alimentos", explica Ellen.
Por Luana Martins Site Bolsa de Mulher |
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