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| Mantenha o colesterol sobre controle |
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Quase metade dos brasileiros já ultrapassou os limites saudáveis e boa parte nem sabe disso. Os desatentos correm sério risco: o acúmulo de gordura nas artérias predispõe ao infarto cardíaco
Imagine dois personagens: um deles é um homem obeso, fumante, que não pratica qualquer tipo de esporte e ainda se submete a uma rotina estressante no dia a dia. O segundo é outro homem, exatamente da mesma idade e que adota um estilo de vida saudável: faz caminhadas regulares, vive controlando o peso, não fuma e tem lá suas estratégias para relaxar. Qual dos dois apresenta as taxas mais elevadas de colesterol? Se você apostou no primeiro, é sinal de que precisa mesmo ler esta matéria até o final.
Explicações bastante consistentes poderiam sustentar a hipótese de que os dois sujeitos tenham as mesmas taxas - ou até que o mais re- Mantenha o grado apresente níveis elevados em relação ao colega despreocupado. Mas para entender essa aparente contradição é preciso desvendar, de vez, o que se esconde por trás dessa implacável gordura. O segundo passo, claro, é verificar as suas taxas de colesterol para saber, de fato, como prevenir ou tratar o problema, minimizando os riscos à saúde.
Quem vê cara
O colesterol é uma substância com aspecto amarelado de gordura, essencial ao bom funcionamento do corpo. Para se ter uma ideia, todas as nossas células precisam dele. "Nosso organismo é composto de trilhões de células e o colesterol integra as membranas de cada uma delas", atesta o cardiologista Antonio Mendes Neto, presidente da regional de Santos da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). É essa gordura a responsável por tornar nossas microestruturas mais fluidas, permitindo o transporte de substâncias entre elas, de dentro para fora e vice-versa. O colesterol está envolvido, ainda, na produção de hormônios, na síntese de vitamina D e de ácidos biliares que ajudam na digestão, entre muitas outras funções. Com tantas incumbências importantes, não é de estranhar que nosso organismo o produza em grandes quantidades. Hoje sabemos que apenas 30% do colesterol necessário ao organismo vêm da alimentação, sendo o restante fabricado pelo fígado. Isso explica por que é tão difícil dar palpite sobre as taxas de colesterol dos dois personagens do início da matéria sem incorrer em erro. A herança genética, que influi sobre a produção maior ou menor de gordura no fígado, poderia explicar por que um sujeito magro e cuidadoso apresenta taxas altíssimas, enquanto um obeso sedentário passa ileso por um exame de sangue específico.
Por isso, é quase impossível estabelecer parâmetros para um grupo de risco. "Atualmente, não usamos mais as classificações ligadas a sexo ou faixa etária. Estimamos o risco para cada indivíduo de acordo com o seu quadro clínico e a predisposição familiar", complementa Mendes Neto. Uma pessoa cujos parentes de primeiro grau apresentem problemas cardiovasculares ou taxas de colesterol alto muito precocemente, deverá tomar cuidado dobrado.
GORDURAS: CUIDADO COM ELAS!
Influenciando de maneira importante as taxas de colesterol, elas possibilitam tanto a disparada desses índices quanto seu controle. Tudo depende do tipo de gordura que consumimos e da quantidade de nutrientes desse grupo que incorporamos à dieta diária. Saiba mais:
- A gordura ruim é a que se apresenta em estado sólido à temperatura ambiente e é conhecida como saturada. Ela pode estar visível nos alimentos ou, então, se esconder no meio de suas fibras. Esse tipo de gordura estimula o fígado a produzir ainda mais colesterol, além de dificultar sua remoção.
- A gordura trans é, de todas elas, a mais perigosa. Assim como a saturada, contribui para aumentar os níveis de colesterol ruim e diminuir as taxas de colesterol bom.
- Já a gordura insaturada (poli ou mono) é a menos perigosa. Encontrada normalmente em estado líquido à temperatura ambiente, ela se movimenta mais facilmente no corpo, o que não acontece com as outras duas, que acabam se enroscando na parede das artérias. Mas atenção: quando exposta ao calor por tempo prolongado, a gordura insaturada pode ser convertida em saturada. É que o calor modifica suas estruturas, dando-lhes uma nova configuração. Isso acontece, por exemplo, com o azeite de oliva. Então, o melhor é adicioná-lo às preparações apenas na hora de servir.
Família e maus hábitos
Porém, também não vale colocar toda a culpa na família. "Na maioria dos casos, é a combinação das características genéticas - que determina como o fígado removerá o colesterol do sangue - com os maus hábitos alimentares a responsável pelo aparecimento dos problemas associados ao colesterol", afirma o cardiologista Raul D. Santos, diretor da unidade clínica de Lípides do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor/HC-FMUSP).
De fato, boa parte da gordura que circula em excesso pelo nosso corpo vem do prato. É esse colesterol que se acumula na parede das artérias, entupindo os vasos e causando a arteriosclerose. "Exceção feita aos problemas genéticos envolvendo a fabricação do colesterol pelo organismo, que são mais raros, a maioria das pessoas que sofre com taxas altas apresenta um desequilíbrio alimentar muito grande. Por isso mesmo, o primeiro passo no tratamento é reorientar a dieta", diz Santos. Estamos falando do colesterol que ingerimos e que está presente em diversos alimentos. Conhecê-los é, portanto, um passo fundamental para controlar os níveis dessa substância em nosso corpo.
O papel da alimentação
Em geral, os alimentos que podem mexer com esses índices, fazendo-os chegar às alturas, são as gorduras. Então, quando pensamos em estabilizar o colesterol - para prevenir problemas ou evitar complicações - o mais importante é restringir o consumo dessas substâncias. "Em adultos, as gorduras totais devem representar 30% das calorias diárias, para garantir o fornecimento de energia, absorção de determinadas vitaminas e síntese de alguns hormônios", explica Rosana Perim Costa, gerente de Nutrição do Hospital do Coração (HCor).
Mas, além de tomar cuidado com as quantidades, é preciso estar atento ao tipo de gordura que se põe no prato. Já ouviu falar em gorduras boas e ruins? Pois elas existem mesmo! "Prefira as poli-insaturadas e monoinsaturadas, encontradas nos óleos vegetais e em alguns tipos de peixes, e evite as saturadas, especialmente as provenientes de animais: ovos, carnes, leite e derivados, entre outros. Estas últimas favorecem o depósito de gordura nas artérias", alerta Rosana. Para você tirar proveito das gorduras, minimizando riscos, siga as orientações dos especialistas ouvidos por VivaSaúde:
- No café da manhã e nos lanches, diminua o consumo de embutidos e dê preferência aos laticínios magros ou desnatados. "Eles possuem o mesmo teor de proteína e cálcio dos integrais, porém, com uma porcentagem de gordura bastante reduzida - que, em alguns casos, chega a ser zero. Além disso, os desnatados são bem menos calóricos", alerta a médica especializada em Endocrinologia e Nutrologia, Ellen Simone Paiva, diretora clínica do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen).
Alimentos industrializados podem ser ricos em gordura trans, principalmente os de sabor doce: tortas e bolos, biscoitos e achocolatados. Então, evite-os.
- No almoço e jantar, todo cuidado é pouco com as carnes vermelhas. "Muitos pensam que um bife de filé-mignon grelhado, aparentemente magro e sequinho, oferece poucos riscos, só porque não tem a borda de gordura tão evidentede uma fatia de picanha. Eis aí um grande engano, pois o bife é macio justamente por causa do seu teor de gordura, quase tão alto quanto o encontrado no contra filé ou na maminha", esclarece Ellen Paiva. Entre as carnes vermelhas mais magras estão lagarto, alcatra, patinho, coxão duro e músculo.
- Também não dá para exagerar na carne branca, que é um pouco menos gordurosa. "Há que se tomar cuidado com os pedaços escolhidos. A gordura e o colesterol da asa e dos pés do frango, por exemplo, superam a de muitos tipos de carne vermelha", adverte a endocrinologista.
- Além do teor de gordura das carnes, é fundamental estar atento à sua forma de preparo. Carnes com qualquer tipo de molho são mais ricas em gordura, como é o caso do estrogonofe ou do filé ao molho madeira. "Vale lembrar que chapa não é grelha e qualquer carne preparada na chapa é considerada fritura, pois utiliza gorduras, muitas vezes sob a forma de gordura hidrogenada ou manteiga", diz Ellen.
- Por outro lado, é necessário desmistificar a ideia de que a carne de porco é sempre muito gordurosa. "O lombo de porco tem um teor de gordura considerado pequeno, quando comparado à picanha, à maminha, ao contrafilé e até ao filé-mignon", explica a médica.
- As massas também são fontes importantes de gordura, principalmente nos recheios e nos molhos. Ao consumir, a dica é optar pelo molho de tomate fresco. "O tomate é rico em licopeno, um potente antioxidante que ajuda no combate às placas de gordura", explica a nutricionista Daniela Jobst.
- Melhor substituí-las pela famosa dupla arroz e feijão, que pode ser bem magra - quando refogada apenas com alho, cebola e pouco ou nenhum óleo de soja.
- Consuma peixes de duas a três vezes por semana, privilegiando as espécies gordas - como atum, anchova e salmão. Todos eles são excelentes fontes de ômega 3, que protege o coração. - Substitua o arroz branco pelo arroz integral. Este último possui mais fibras, que ajudam a diminuir a absorção do colesterol e ainda atuam na melhora do funcionamento intestinal.
- Todos os tipos de farofa são extremamente gordurosos, pois independentemente da associação dos vários tipos de alimentos como cebola, ovo, uvas-passas, bacon, linguiça e banana frita, a farofa nada mais é do que uma farinha frita.
- Frituras, como já sabemos, são um perigo e tanto, ainda que os alimentos tenham aparência de sequinhos quando prontos. Na verdade, quanto mais crocantes, pior. Lembre-se: a textura irresistível desses pratos é conseguida graças à adição de gordura hidrogenada (trans) tanto nas frituras quanto nos pratos assados.
- As sobremesas mais saborosas também são pratos muito gordurosos, em geral, feitos com óleo ou manteiga. "Além disso, a gordura somada ao açúcar rende pratos altamente calóricos", afirma a médica Ellen Paiva. Melhor do que fazer uma opção que oferece tantos riscos à saúde é escolher uma boa fruta depois das refeições principais. "Além de menos calóricas, elas possuem mais fibras", completa a nutricionista Daniela Jobst.
- Substitua o chocolate ao leite pelo de soja ou o amargo. "Além de ter menos colesterol, o amargo é rico em cacau, que é um ótimo antioxidante", diz Daniela.
DE OLHO NAS TAXAS DE LDL E HDL
Independentemente de apresentar um histórico familiar favorável ou não, os médicos indicam que todo adulto passe por um check-up a cada cinco anos. Mesmo as crianças, a partir dos 10 anos, devem se submeter ao teste, nem que seja pelo método mais simples, em que se dá uma leve picada no indicador com a agulha. A recomendação é da Sociedade Brasileira de Cardiologia. "Quando a criança tem antecedentes familiares, o teste pode ser feito logo após os 2 anos", diz Raul D. Santos. Nos maiores, a detecção do problema é feita por meio de um exame de sangue simples, chamado de perfil lipoproteico, capaz de medir o colesterol total e suas frações. Isso porque, para uma análise correta, importam, além do colesterol total, os índices de LDL (colesterol ruim), de HDL (bom) e ainda de triglicérides. Em geral, adultos saudáveis devem apresentar colesterol total até 200 mg/dl, LDL menor que 130, HDL acima de 40 para homens, 50 para mulheres e triglicérides até 150. Mas a medida exata para a sua saúde, somente um médico será capaz de lhe dar.
ACERTE NA ESCOLHA
A simples mudança de hábitos fornece resultados no tratamento do colesterol. "É possível observar uma redução em até 50% no nível de triglicérides e em até 15% nas taxas de LDL", diz Rosana Perim Costa.
APOSTE
- Laticínios desnatados deram um salto de qualidade nos últimos anos, possibilitando a ingestão de proteína e cálcio sem a gordura saturada.
- Alimentos ricos em fibras - cereais integrais, frutas e verduras - ajudam a reduzir a absorção do colesterol.
- Leguminosas - entre elas o feijão - são uma das mais importantes fontes de proteína vegetal e podem substituir as carnes vermelhas.
- Óleos vegetais - como os de canola -, utilizados no preparo dos alimentos, fornecem gorduras boas, os ômegas 3 e 6.
- Produtos suplementados com fitosteróis são benéficos, quando aliados a uma dieta saudável. Eles contribuem para diminuir a absorção do colesterol. "Vários estudos científicos mostraram que esses alimentos reduziram de 10% a 14% os valores do LDL. Esse efeito foi conseguido com a utilização de 3 g de fitosteróis ao dia, o equivalente a uma colher de sopa cheia de margarina enriquecida", explica a médica Ellen Simone Paiva.
EVITE
- Carnes vermelhas, principalmente os cortes gordos como a picanha, o cupim, o contrafilé, as costelas e a linguiça. "A gordura também está na fibra. Por isso, as carnes são perigosas mesmo quando a gordura aparente é retirada durante o preparo", avisa o cardiologista Antonio Mendes Neto.
- Frituras, especialmente com gordura hidrogenada, como as batatas fritas.
- Bacon, pois contém grandes quantidades de gordura saturada.
- Queijos amarelos, muito utilizados em pizzas, massas, gratinados, saladas, lanches e fast-foods, também são campeões de gorduras ruins.
- Alimentos industrializados, pois são ricos em gordura hidrogenada - em especial bolos e achocolatados prontos, sorvetes de massa e biscoitos.
QUER LER A MATÉRIA COMPLETA? ACESSE: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/80/artigo157636-1.asp |
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