Gostoso de ver e mais ainda de saborear, o açúcar pode prejudicar a saúde, sim. Veja como adoçar a vida sem ele!
POR LAURA ANDREANI
Branquinho, soltinho, fininho, doce e muito gostoso. Só mesmo o açúcar para reunir tantas qualidades e ser tão irresistível aos olhos e, principalmente, ao paladar. Mas o seu consumo tem restrições. O açúcar ou a sacarose é um carboidrato formado por glicose + frutose, é reconhecido por sua característica de palatabilidade, ou seja, de tornar os alimentos saborosos. "Mas com relação à importância nutricional, ele pode ser abolido do cardápio sem nenhum prejuízo para a saúde, pois ingerimos muitas outras formas de carboidratos em nossa dieta e, estes, sim, são fundamentais", afirma Ellen Simone Paiva, endocrinologista, nutróloga e diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional (SP). Os itens imprescindíveis, aos quais a médica se refere, são os carboidratos complexos, presentes em cereais, pães, batata, mandioca, milho, leguminosas e que são também encontrados nas frutas e hortaliças. São eles, juntamente com os carboidratos simples (açúcar, frutose, lactose e glicose), os responsáveis pela geração de energia, facilmente estocada e utilizada ao longo do dia. A sacarose só tem um problema: em demasia - o que não é difícil ocorrer -, ela é armazenada sob a forma de triglicérides, levando ao sobrepeso e à obesidade. E olha que ele nem é tão calórico em pequenas doses: tem apenas quatro calorias por grama. "O uso equilibrado não traz riscos à saúde. O problema é a ingestão em grande quantidade", avisa Luana Stoduto, especialista em Administração de Serviços de Alimentação (SP).
Energético por natureza
Não é apenas a soma de quilos a mais na silhueta que o abuso do alimento provoca. As cáries dentárias também estão associadas a ele. Mas, diferentemente do que se imagina, o branquinho irresistível não induz à diabetes. É a obesidade que leva a este e a outros males. "O uso exagerado aumenta o valor calórico das dietas e propicia o ganho de peso, que pode predispor a doenças, como hipertensão arterial e problemas cardiovasculares", ressalta Ellen Paiva. Isso é um desafio para o nosso País, que é um dos maiores produtores mundiais do alimento, com um consumo diário de 200 gramas por pessoa (quantidade considerada até baixa se comparada aos 400 gramas diários dos americanos, mas bastante alta se levados em conta os pouquíssimos benefícios oferecidos ao organismo). É durante o refinamento, processo em que são adicionados produtos químicos, como clarificantes, antiumectantes e conservantes, que o açúcar perde componentes valiosos e torna-se pobre em termos nutricionais. Sem desmerecer a importância da glicose (energia) fornecida ao organismo, Juliana Barancelli Pansardi, nutricionista (PR ), afirma que o problema está na qualidade extremamente baixa dessa glicose e nos malefícios causados pela sua ingestão. "O açúcar refinado possui as chamadas 'calorias vazias', ou seja, não tem nada a mais de nutrientes ou benefícios a oferecer", diz. Alimentos com alto teor de açúcar e aditivos possuem baixas quantidades de cromo, um dos minerais perdidos no refino. "O cromo é necessário para a manutenção dos níveis de glicose no sangue. Quando essa taxa esté descontrolada, pode ocorrer hiperatividade e aumento da agressividade", complementa.
Mude o seu paladar
Que atire a primeira pedra quem nunca caiu em tentação diante de uma vitrine repleta de guloseimas que adoçam a alma. Mas se a convivência pacífica entre o açúcar, a saúde e a silhueta impecável está ficando difícil, a solução é procurar escolhas saborosas e similares para fazer a substituição. Não faltam opções no mercado de adoçantes, mas, caso o paladar ainda não aceite bem esses produtos, o açúcar mascavo é uma troca interessante, pois é considerado mais saudável do que o tradicional, por não levar adição de produtos químicos durante o processo de refino. Tem ainda o açúcar light, com o diferencial de ser mais magro por utilizar um adoçante não calórico no seu preparo (na proporção de 50%); e o orgânico, extraído do plantio de cana-de-açúcar, sem uso de adubos nem fertilizantes químicos. Outra alternativa gostosa é o mel, um velho conhecido, que possui propriedades, vitaminas e minerais importantes para a saúde. Mas fique atenta à ressalva da endocrinologista Ellen Paiva: "Em relação ao conteúdo de sacarose, não existe diferença entre mel, açúcar refinado, mascavo ou orgânico. Todos eles têm quantidades de calorias similares, logo, provocam ganho de peso da mesma forma", alerta a médica. Como estímulo para dispensar o açúcar, lembre-se que as antigas civilizações não utilizavam complementos na alimentação e até mesmo o mel era ingerido apenas como remédio. E, se for impossível mesmo resistir, anote a dica: "Consuma o açúcar tradicional junto com alguma fibra para que ela ajude a reduzir sua absorção pelo organismo", ensina Juliana Pansardi.
A matéria completa está na revista Corpo a Corpo deste mês, edição 239.
FONTE: REVISTA CORPO A CORPO |